terça-feira, 22 de junho de 2010

O último filme a fazer-me chorar...



"Do realizador de Jogos de Poder, o Atentado e Perigo Imediato, chega-nos Catch a Fire: Guerra de Culturas, uma viagem ao mundo da sabotagem, corrupçao e crime, na era Apartheid da África do Sul. O vencedor* de um Oscar® Tim Robbins (Mystic River e Os Condenados de Shawshank) e Derek Luke (Antwone Fisher e Caminho para a Glória) protagonizam este fascinante thriller baseado numa história real. No contexto de um pais em chamas e duas culturas em guerra Catch a Fire: Guerra de Culturas é a história tocante de um homem que sozinho luta por si próprio, a sua família e o seu povo."
Apetecia-me ter algo verdadeiramente sentido para dizer… Mas a verdade é que não há palavras: Saramago levou-as todas!

Eternamente Levantado do Chão!!



segunda-feira, 7 de junho de 2010

Agradecimento


Há conceitos que aplicamos no quotidiano de forma linear, outros que aplicamos automaticamente, outros que pensamos e não usamos realmente, outros demasiado supérfluos para serem falados e outros demasiado ousados para serem completamente compreendidos. E existe Ela. Ela é um conceito demasiado complexo para ser entendido por meras palavras. É um fluxo de tudo o que é, de tudo o que constrói, de tudo o que pensa, de tudo o que teme, de tudo o que dá. É um fluxo dinâmico onde olhares, palavras e sorrisos se misturam numa harmonia raramente vista e raramente pensada. Ela respira o ar que negativistas expulsam, transforma-o numa brisa encantadora que dá vida aos desencantados.

Não é prefeita: “há beleza na imperfeição”. É uma máquina de palavras e expressões alucinantes que nos consomem por momentos, e ao mesmo tempo uma máquina de silêncios e olhares realmente confortáveis. Ela é um conceito que jamais conseguirei explicar, porque é um conceito que muitas vezes nem entendo. Mas é um conceito que sinto e que sei que me (nos) faz feliz.

Ela não é abstracto mas também não é concreto. Ela não é óbvio mas também não é o complexo. Ela não é desprendimento mas também não é racionalismo. Ela é sonhadora, e como sonhadora tem medo perder. Mas é lutadora, e como lutadora luta contra esse medo. Ela é uma actriz única no palco da vida, e dá ao Mundo uma noção central de existência. Ela não vive por acaso, nem faz do acaso a sua rotina. Ela corrompe os limites do óbvio, e consome-os até tornar intensos os momentos que com Ela vivemos. Ela é definitivamente surpresa. É definitivamente sorriso, lágrimas e entrega.
Ela acorda e vive na intensidade das pequenas coisas que tornam o dia tão colorido, tão próximo e tão nosso. Ela cumprimenta inconscientemente dia após dia a Deneuve, a Zeta-Jones, a Kidman, a Glenn Close, a Maggie Smith, e partilha com elas todo o seu dia, todas as suas expertiências, todos os seus medos, todas as suas aspirações. Com Ela diria: quantas grandes artistas já actuaram no centro do seu quarto? E quantas personagens já ela foi no centro do seu quarto? E quantas discussões terá tido com as suas artistas a respeito das suas personagens e das suas imensas representações?

E é critica o suficiente para saber que a crítica é dinâmica. Por isso pede opinião a Eça de Queiroz, Baz Luhrmann, ao Paulo de Carvalho, ao Platão, aos Jigsaw, ao Mark Herman, à Meaghan Smith, ao Scorsese, à Sónia, ao Tom Hanks, ao Burton, aos goldfrapp, ao Nietzche ou à simples insónia que numa qualquer noite lhe impõe um diálogo. E mesmo Ela sabendo que é um pouco de tudo isso, Ela sabe que todos os dias se enriquece partilhando todos esses maravilhosos diálogos, todas essas maravilhosas críticas, todas essas maravilhosas viagens ao seu Mundo interior.

Da sua guitarra emanam sons que Ela sabe em que pessoas da sua vida encaixam. E Ela consumida pela música da sua vida encontra em cada sentimento e em cada partilha a imensa banda sonora do filme da sua vida, da narrativa do seu Mundo.
Ela é uma absoluta Romântica, e por isso é inconstante. Mas sabe no fundo que como o amanhã é sempre tarde de mais: ADORO-TE MÃE, ADORO-TE PAI, ADORO-VOS AMIGOS, ADORO-VOS SORRISOS, ADORO-VOS SENTIMENTOS, ADORO-TE MUNDO, ADORO-TE VIDA !!! Na sua inconstância ela encontra respostas, e nas suas respostas ela é feliz. Também para mim o amanhã é sempre tarde de mais, por isso: ADORO-TE, ADORO-TE e ADORO-TE !!
E, porra, que se lixe o resto: ABSOLUTAMENTE ARREBATADOR!
….
Ainda que nem sempre entenda aquilo que és enquanto conceito, sinto que fazemos parte um do outro, e que por essa vida fora quando olharmos para o lado estaremos um ao lado do outro, amigos para sempre, confidentes para sempre.
“… Et, même qui La Rose cest important, moi et toi savoir que l´important est que nous existons, et que je t´adore comme tu m´adore” (tentei).

domingo, 6 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

…nem só de Rei e Rainha se faz um jogo de xadrez!


O fim da bipolarização do Mundo em nada foi sinónimo de pacificação, de rejeição da guerra e da generalização Mundial de direitos sociais. Foi sim sinónimo de unipolarização do Mundo, sob a égide do imperialismo global. O desaparecimento da potência Soviética fez, a partir de 90, surgir os EUA como a única grande potência económica e militar. Contudo, nos nossos dias uma nova potência emerge, a China. O facto de uma nova grande potência surgir na geopolítica mundial, não faz com que algo mude no Mundo, não é sequer factor de alívio e de esperança para os trabalhadores e para o povo. A ascensão Chinesa é, antes de mais, um motivo de preocupação. Apesar de uma imagem renovada e “marketingzada “, o imperialismo global continua a ser a base de entendimento global e de todo e qualquer equilíbrio de forças…

...mas o Mundo é claro como a clarividência de um charco de água suja!

Os países menos desenvolvidos são sempre quem paga a factura mais alta, sendo brutalmente excluídos do processo de globalização. A Tríade mais a China, são hegemónicos: detém todo o poderio económico, mobilizam e gerem recursos e fluxos de todos os tipos, detém uma superioridade técnica e um poderio económico e político brutal, servindo-se da guerra infinita, da marginalização e aproveitamento dos países menos desenvolvidos e, obviamente, do planeta. Pensar-se nas Nações Unidas como um real factor de equilibro de forças? Impossível… O conselho de segurança não deixa e sabemos precisamente porque…

A globalização reforça a primazia Norte Americana (como sempre o fez). Ao mesmo tempo que favorece o apogeu Chinês. Mas como nem só de Rei e Rainha se faz um jogo de xadrez, o império deu um novo salto. Utiliza novos bispos e torres no imperialismo global. Essenciais à renovação de imagem e à desfiguração que o capitalismo quer impor na cabeça dos cidadãos e da opinião publica. Esses bispos e torres, os chamados novos países industrializados ou semiperiferias são, nos nossos dias, peças centrais do ilusionismo imperialista. Sob a capa do (re)equilíbrio de forças, da democratização do Mundo, e da eficácia do modelo económico globalizante, os países emergentes servem os mesmos interesses das potências: rebaixam-se sempre perante os interesses político e económicos (por exemplo as multinacionais Norte Americanas no México); subjugam-se sempre perante as ofensivas militares (por exemplo a complacência perante a guerra no Iraque, no Afeganistão ou na Palestina); assumem sempre uma posição subalterna em questões ambientais (por exemplo cimeira de Copenhaga); … E portanto sob a capa democratizadora, os países emergentes apenas legitimam o imperialismo global, porque a verdade é que o imperialismo não é democratizável!

São regiões geopoliticamente estratégicas: Ásia Orienta e Sudoeste Asiático; América Latina; Magrebe. Países tidos como exemplos, onde os direitos humanos, o trabalho infantil, a pobreza ou as desigualdades sociais são problemas inultrapassáveis. Conhecemo-los (e certamente não será por acaso) com nomes de animais ferozes e ofensivos: os 4 Dragões Asiáticos (Coreia do Sul, Taiqan, Hong Kong e Japão) ou como os Tigres do Oriente (Malásia, Tailandia, Filipinas e Indonésia)… Próximos da China e do Japão, assumindo um papel geoestratégico de enorme importância. Na América Latina conhecemo-los com mais profundidade: A Argentina, o México, o Brasil… A própria “política de bloco”, com o exemplo concreto da NAFTA, é bem elucidativo do tipo de alianças que se fazem e com que fins. Mas não pensemos que os EUA só se impõe ao país que em 1982 se declarava insolvente e foi “salvo” pelos EUA (México), ou da 10ª economia Mundial que Obama tanto elogia (Brasil) ou do fiel aliado (Argentina). Detém outras influências igualmente importantes como a Colômbia ou o Peru. A região do Magrebe não é imune. O império sabe perfeitamente onde está o seu oxigénio, o petróleo. É por isso que a presença dos EUA, da UE e até da China na Argélia, na Líbia, em Marrocos na Mauritânia ou na Tunísia é tão relevante.

João Nuno Mineiro

quinta-feira, 27 de maio de 2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Jose Caroso Pires, "O Delfim"


José Cardoso Pires, com toda a sua complexidade e com toda a sua beleza é um caminho estranhamento rico e inovador na literatura Portuguesa, vale a pena descobri-lo...



«Só agora, dezoito horas catorze minutos, chegam os jornais da tarde, e faço votos que com notícias de bom tempo. Oxalá. Para honra e glória do melhor ganso da época, é indispensável que a criadita me traga um bom Diário de Lisboa ou um bom Diário Popular que não me falem de chuva nem vento forte e ainda menos de trovoada.
(…)
Estendo-me na cama a ler o jornal.
(…)
Este, em particular, vem exausto. Mensageiro maltratado mas convencido (em artigos de fundo e notas do dia) do seu Valiosíssimo Papel de Órgão de Informação nas Estruturas Nacionais, chegou à Gafeira muito composto de bom senso e com a autoridade de ter preenchido as vinte e quatro páginas que lhe competem. Chegou cansado; sem voz, pode dizer-se. Abre-se e pouco adianta, a não ser para os desconfiados leitores das entrelinhas. Mas, vá lá, mal ou bem sempre faz um prometedor boletim meteorológico. Esperemos que não falhe. Que, ao menos, não seja tão desastrado como certas previsões da NASA – lembro-me eu, deparando com a fotografia de Edwin Aldrin a sorrir a duas colunas na primeira página.
UM LAVRADOR FESTEJOU O NASCIMENTO DE UM FILHO VARÃO
Beja, 30 – Mais de 500 convidados festejaram no Monte de Santa Eulália, propriedade do Sr. Patrício Melchior, o nascimento do primeiro filho varão daquele lavrador.
Consumiram-se, entre outras iguarias, doze perus, vinte e quatro cabritos, quinze leitões, trinta e um frangos e cem quilos de borrego. Beberam-se cem litros de vinho, quatrocentas cervejas, duzentas garrafas de whisky…
… e isto, parecendo que não, é um desafio ao sorriso de Edwin Aldrin. Ri-te cosmonauta inacessível, das vitórias que se ganham cá em baixo, e não te espantes. Conheço, meã culpa, vários cidadãos de lavoura-e-cabaré capazes de pensar como o nosso lavrador e, aqui entre nós, nem reparo. Sei como é fundo neles, e constante, e magoado, o sonho de fazerem um homem à sua maneira, ensinando-lhe o mundo e mulheres. Desejo-lhes, portanto: Salute ed figli maschi – que é como brindam (diz-se) os napolitanos legítimos.
Edwin Aldrin encara-me: Com os seus lábios brancos de americano engarrafado em aço. Está cheio de guerra e de publicidade, mas é um cosmonauta – nunca esquecer. É um homem confiante nos milagres que os outros homens vão descobrindo porque se põem à prova neles, e nessa qualidade merecer tudo, quer se chame Edwin, Gagarine ou tenha o nome de código de Major Alfa Zero.
(…)
Um homem que confia, um cosmonauta, leva fios invisíveis de humanidade em esfuziante propulsão. Com ele viaja o nosso velho universo – com lábios assim tão gelados e com escafandros tão tenebrosos. Sinceramente. Falo com a mão na consciência, porque, modéstia à parte, muitos dos meus avós portugueses também foram bons cientistas de descobrir mundo. Excelentes, não exagero.
(…)
Outra vez o sorriso branco: Enquanto as moscas passeiam, o caminhante do espaço permanece suspenso na primeira página do meu jornal. Se lhe descrevessem as fabulosas aventuras dos portugueses que foram, antes dele, navegadores do impossível, talvez não acreditasse.
Também, pouco adiantaria que acreditasse ou não. Acenar com os padrões dos nossos descobridores como resposta às façanhas de um cosmonauta é o argumento dos olvidados, e já enjoa. Estamos fartos de ouvir nos discursos de academia e nas crónicas oficiais. Aldrin nunca teria tempo para isso. Anda excessivamente atarefado com o futuro para poder dar atenção aos desprezados dos século XX…»

quinta-feira, 13 de maio de 2010

é sempre a mesma história que nos contam !!


O capitalismo está constantemente em reconversão: inova, transforma-se, encontra formas de se autolegitimar. E por muito que os discursos politicamente correctos nos venham falar de inevitabilidade não há escapatória: o problema de Portugal, da Europa e do Mundo é um problema ideológico. É um problema de sistema, de organização, de valores. Mais de dois mil anos de hegemonia de um modelo de dualismo social e de exploração (que na verdade nunca ninguém ousou quebrar) nunca oferecerem nada de realmente importante ao Mundo. E não nos desenganemos, porque o problema do PEC e da ditadura do défice é um problema estrutural, meramente estrutural. É um problema ideologicamente estrutural. Com a crise financeira o discurso liberalizador faliu e deu origem ao discurso regulador e moderador (também presente no discurso social cristão e social democrata do pós guerra). Para salvar o sistema os estados meterem rios de dinheiro nos mercados e nos bancos. E agora tapar esses buracos de salvação e os que já existiam criam-se os PECS e a ditadura de mercado. Em Portugal pagaremos (nós os mesmos de sempre) a factura dessa cangalhada elitista que destrói o país, o Mundo e que tem as costas quentes – o modelo neoliberal:


- Aumento para 21% da taxa do IVA.

- Aumento da taxa intermédia para 13 %.

- Aumento da taxa reduzida (a de bens essenciais e alimentares) para 6 %.

- Aumento de 1 % sobre os rendimentos.

- Congelamento salarial.

- Cortes nos subsídios sociais – subsidio de desemprego e RSI.