sexta-feira, 30 de julho de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

Projecto Farol: a solução ou a causa?

O pensamento e a análise estrutural do país e do Mundo são um imperativo constante para quem quer repensar o Mundo que nos cerca e pelo qual disputamos hegemonia de ideias. Porém, esse processo só é eficaz e coerente quando acrescenta parágrafos aos pontos finais, ou seja, quando pensa formas novas de superar crises e de promover desenvolvimento social. Quando as análises feitas se centram em recriar e reinventar “formulas” para modelos obsoletos e que há muito provaram a sua ineficácia apenas estamos a encontrar formas novas de ir ter ao mesmo sitio: à crise, à desigualdade, à injustiça! É nesse campo que o “Projecto Farol” se centra e é nesse pressuposto que se desenrola!

É inevitável dizer que o distanciamento que assumo do “Projecto Farol” é, antes de mais, um distanciamento ideológico. Tem a ver com duas concepções opostas da sociedade, da política, do Estado, da economia. E ao contrário do projecto Farol, que baseado no projecto de sistema que temos, quer criar formas de o aprofundar e do reinventar, aquilo que a realidade e a história me ensinam é que mais que reformar o sistema, precisamos de o superar pensando um novo tipo de sistema realmente potenciador da prosperidade humana.

Esse marco ideológico tão vincado pelo projecto Farol assume-me a priori na sua visão sobre a globalização. A globalização, quer queiramos quer não, surge como resposta às necessidade do mercado de se internacionalizar para poder captar globalmente vantagens e reduzir riscos. É nesse processo que se generalizam as empresas transaccionais, o proteccionismo é abandonado e o comércio passa a ser Mundial, ou Mundializado. Atrás dessa dimensão vieram outras, mas essa é uma outra análise. O que me parece fundamental, é que a globalização económica como a conhecemos em nenhum momento se preocupou com os países de Terceiro Mundo, em nenhum momento pensou formas de cooperação solidárias entre os países, em nenhum momento elegeu o desenvolvimento humano global como a primeira meta, em nenhum momento foi capaz de responder aos grandes problemas estruturais do Mundo. A Globalização capitalista, apenas serviu para afundar o fosso que o Mundo vive.

É por isso que assumo um absoluto distanciamento do projecto Farol. O projecto Farol acredita neste modelo individualista e desresponsabilizado de globalização económica, acha que o caminho é este e que o devemos incrementar ainda mais. É por isso que quer um “Novo Contrato Social para a Globalização”, que embora escondendo (habilmente) o seu conceito, percebe-se o conteúdo central desse contrato: menos Estado, mais desresponsabilidade social das empresas, mais competitividade e mais livre arbítrio sem contrapartidas. Mas além do incremento desse novo contrato, o projecto Farol quer que ele seja educado “OBRIGATORIAMENTE”, embora não esclarecendo concretamente o que significa “educação obrigatória para a globalização”.

Uma resposta à hegemonia dos interesses financeiros e económicos nas escolas e na sociedade civil, exige um repensar do que queremos para globalização, o que é que a globalização deve ser para nós. Mas porque não é esse o objectivo central desta análise, basta esclarecer que rejeitar o individualismo e a competitividade desumana como os valores hegemónicos na sociedade, passa por rejeitar as propostas do projecto Foral para incorporar os valores do mercado na sociedade civil.

A juventude já não aguenta mais pressão mercantilista e “mercantilizadora”. O ensino além de estar a fazer o seu caminho para se transformar num negócio, está a privilegiar a aprendizagem da “produção/consumo”, e a formar não pensadores críticos capazes de pensar-novo, mas simplesmente “máquinas” de produção/consumo que o mercado vai absorver como trabalhadores (eternamente) temporários, sem direitos, obedientes, a quem o futuro vai ser hipotecado.

O pensamento concreto que impõe a rejeição dos valores de mercado na sociedade e no ensino, é a melhor arma que temos para responder aos malabarismos ideológicos que o sistema capitalista cria, e que no fundo, projectos como o Projecto Farol apenas servem para legitimar

terça-feira, 13 de julho de 2010

Um dos grandes compositores Portugueses :)

Educação em movimento no Fórum Social


Em Istambul, o Fórum Social Europeu quis, e conseguiu, ir à discussão e à disputa de um espaço político sobre educação.


a assembleia de educação do Fórum Social Europeu decidiu que iria apoiar o dia 29 de Setembro como um grande dia de luta europeia sobre o ensino Esse espaço foi não só ganho à custa de uma intensa teorização e problematização das questões concretas do ensino e das ofensivas neoliberais ao espaço escolar (sob as suas diversas vertentes), como conseguiu também perspectivar formas concretas de luta europeia que respondam à urgência desse combate.
 



Foram dezenas as delegações de países que marcaram presença nos seminários e workshops sobre educação, que culminaram numa grande assembleia de conclusões e perspectivas de luta sobre o ensino. Professores, estudantes de várias organizações europeias e investigadores da área, pensaram, discutiram e encontraram consensos e proposas concretas. De toda a Europa, organizações, sindicatos e movimentos contestaram directa e frontalmente as repercussões directas da crise do capitalismo no sistema educativo. Exigiram, claramente, uma mudança à esquerda porque a verdade é que a grande conclusão da assembleia sobre educação foi a de que o capitalismo não responde, como nunca respondeu, à crise da educação, e não só não responde como ainda a agrava. Foi portanto claro para os movimento sociais europeus que a crise educativa é inerente à crise do sistema neoliberal, e que a necessidade de mudança de paradigma é uma absoluta realidade.


Entre as várias ofensivas ao sistema educativo, o FSE tentou discutir aquelas que mais força conseguem ter nas escolas e nas universidades, para que um dia europeu de luta pelo ensino seja um verdadeiro sucesso. Entre elas o FSE destaca a privatização do espaço escolar, a incrementação dos "valores de mercado" no sistema avaliativo dos estudantes e os ataques quer ao financiamento das instituições, quer dos direitos de estudantes e professores. Por outro lado, sublinhou-se a urgência da rejeição do ensino como um negócio, a democracia no ensino, o resgate do espaço escolar. 




Partindo dessa convergência, a assembleia de educação do Fórum Social Europeu decidiu que iria apoiar o dia 29 de Setembro como um grande dia de luta europeia sobre o ensino. Que o iria fazer, mobilizando organizações, sindicatos e estudantes numa convergência absoluta (provavelmente sem precedentes) em torno de um dos maiores ataques dos últimos anos ao ensino. 
 



Mas o Fórum não só apelou à mobilização para o dia 29 como afirmou que quer criar um movimento de luta consequente. Esse movimento passará quer por um Fórum de Educação Europeu, a realizar em Espanha, como pretende criar espaços de discussão e luta regular na Europa pré e pós 29 de Setembro, pré e pós Fórum de Educação Europeu. 



Também aqui o FSE prova que é possível unidade, consequência e muito movimento na luta contra o sistema neoliberal que usa e abusa do sistema educativo e que condena plenamente às orientações do mercado. No Fórum Social Europeu a educação esteve realmente em movimento!